Na busca por um pau, um grupo de sem-tora invadiu na última segunda-feira uma propriedade particular em Pacajá, cidade distante de Belém, que já é distante. Os manifestantes continuam no local em busca de toras grandes, grossas e robustas, aos gritos de “queremos pau” e “mulher gosta de dinheiro, quem gosta de pau é sem-tora”.
A escolha do local, segundo o líder do movimento sem rola, é emblemática. “Escolhemos um lugar longe para caralho, pois só assim podemos manifestar plenamente nossa falta de pica. Digo, de tora”, explicou Khatycilene Tico-Tico.
Os manifestante reinvidicam todo o pau da cidade. Em sua maioria, tratam-se de posseiros, pederastas e pessoas que dão ré no kibe por prazer. Muitas vezes eles se passam por integrantes de movimentos sociais, dizendo-se a favor do socialismo a qualquer cu. “Temos de dividir as pregas da sociedade. Ou para a sociedade, nossa doutrina ainda não é muito clara”, relata Karla Marxina, teórica do movimento.
A polícia pretende realizar em breve uma ação para acabar com a viadagem do movimento sem-tora. Já esperando truculência, os baitolas da madeira prometem entregar seus “corpinhos siliconados” à causa. “Pela revolução do pau para todos, eu viro purpurina”, relatou Khatycilene.
Mas não só de veados é composto o movimento. Muitos dos que buscam a sua tora são homens que, por motivos além da sua vontade, foram castrados pela sociedade. Exemplo disso é o caso de Joaquim Pinto. “Perdi minha tora em 1987. Voltei bêbado do carnaval, com marca de batom até na bunda. Minha ex-mulher não pensou duas vezes e passou a motosserra na minha tora”, conta. Caso paradoxal, o Pinto sem pinto é um dos muitos exemplos de homens que, sem caralho nenhum de tora, acaba por entrar no movimento em busca de um pedaço de pau para sentar ou para comer alguém. “Aqui somos muito democráticos. De alguma forma, o camponês há de foder. Somos o movimento social mais justo que já existiu. Nossa causa é única, somos amantes do pau, da tora, da madeira. Seja para sentar ou para ser sentado. Somos um boneco, um instrumento da revolução paulatina”, conta Giuseppe Gepetto, uma das lideranças e principal ideólogo do movimento sem-tora.
Zoei Grandão. Sua mãe tem mais tora do que toda a Amazônia.