As ditaduras brasileiras

postado em Quinta Coluna por Lucas 09.10.2008 às 21:29 hs

Hoje eu apresentei um pequeno trabalho, num congresso de Letras, sobre um poeta que escreveu no período ditatorial (1964-85): Paulo Leminski. Ao escrever numa época em que a arte fica submissa a uma censura muito severa, ele acaba revelando um posicionamento – evidentemente, ele traz uma crítica muito ácida.

Contudo, o mais interessante – e que eu queria trazer para cá – é o ponto em que meu trabalho toca nossa realidade atual. O próprio Paulo Leminski, num de seus textos publicados em jornais, conta que sua geração sofreu com duas ditaduras – e não apenas com a ditadura dos militares. Sendo assim, depois que se findou oficialmente o regime autoritário dos generais em 1985, sobreveio um outro poder arbitrário: a ditadura da inflação.

Os escritores, e a arte em geral, ficaram comprometidos pelas leis do mercado mundial. O artista passou a ser obrigado a criar uma arte rentável financeiramente. É óbvio que os grandes não cederam a essa pressão: sofreram em vida, mas suas obras ganharam em valor estético.

A questão que desejo levantar é que, mais uma vez, nos vemos numa crise econômica – e entramos em desespero. Não consideramos o fato de essa crise jamais ter sido extinta por completo (e nunca estivemos tão longe dela), desde o surgimento de nossa nação. Sobretudo em nossa história mais recente, aprendemos a nos virar nas mais adversas situações financeiras. Nós, os brasileiros. Não aqueles que esquentam as cadeiras do poder, esses ainda não aprenderam a se virar para o bem.

O “jeitinho brasileiro” não é só o de trapacear, ludibriar para atingir objetivos de caráter duvidoso; não é apenas motivo para vergonha, ficar vermelho e dizer “É, sou brasileiro”. Nossa ginga vai muito além disso: é um jogo de defeitos que criam o efeito necessário para sobreviver no verão dos trópicos.

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Comentários para o post "As ditaduras brasileiras"

  1. Franco em 09/10/08 | 10:29 pm

    Jeitinho?
    O Brasil tem emprego, formação gratiuta e condições, não como a de um país de primeiro mundo, claro, mas infelizmente o brasileiro é preguiçoso, prefere jogar bola ao estudar, prefere dar o “jeitinho”.
    Tenho vergonha de saber que lá fora, os brasileiros são discriminados justamente pelo “jeitinho”, pela “malandragem”…
    Conquistei tudo que eu tenho ralando, estudando, competindo contra outros brasileiros igualmente capacitados, mas se o cara mora na favela, na boa, azar o dele, por que até morador de rua que se esforça passa em um concurso público.

  2. victor em 09/10/08 | 11:20 pm

    Como ”anti-americano” assumido, eu devo concordar com o Franco ( do comentário aí em cima) e com o autor do post.
    O nosso jeitinho brasileiro vai além da malandragem, nós brasileiros estamos acostumados a ralar, a trabalhar duro pelo que queremos, por isso em tempos difíceis estamos sempre preparados para com nossos esforços poder superar as difículdades.
    Em outros países a riquesa está distribuída entre a população, mas e aqueles que não dispõem de toda essa riquesa ? oque acontece com esses civís comuns ?
    Mas no Brasil do jeitinho malandro, e da desigualdade social acentuada, mesmo o cidadão mais pobre tem a opurtanidade de dar o seu melhor, diferente dos paises mais desenvolvidos, em que aqueles que nasceram pobres, aquele pessoal do ”groove” , não tem chances, e acaba entrando no crime, no brasil também acontece isso, mas aquele que tem o verdadeiro jeitinho brasileiro não acaba assim, aqueles que tem o jeitinho brasileiro acaba como aquele morador de rua, que passou em incontáveis concursos públicos, sem poder fazer uma aula particular, comprar livros caros para o estudo, ou ter feito uma faculdade um dia, ele passou, movido apenas pelo ”jeitinho brasileiro”.

  3. Visionário em 09/10/08 | 11:41 pm

    Olhe bem. O Lucas fez um contraponto entre ser fiel aos seus pensamentos políticos e o de atingir os objetivos para sobreviver. Mesmo tendo que abrir mão da busca da perfeição no que se faz. Aí entra o “jeitinho”, que em suma diz, que você deve se dobrar sem quebrar a espiha, certo? (!) E complementando os comentários feitos, o que deixa muito a lamentar, é a tal da criação de cotas. Você estuda, se lasca todo, mal tem tempo para dormir e descansar. Aí, é criada a vaga por cota e por conta, e nós levamos um tapa na cara.

  4. victor em 10/10/08 | 1:02 am

    Concordo com o visionário, esse sistema de cotas é simplismente cuspir na cara dos negros, porque eles não seriam capazes de passar por seus próprios méritos ?
    e porque, as outras pessoas que não fazem parte de uma minoria (que é uma minoria, pois hoje todos fazem parte de alguma minoria) deveriam seder suas vagas para outras pessoas que não estudaram tanto, e não fizeram por onde merecer sua vaga em uma faculdade ?
    Foi aprovada a lei com uma boa intenção, mas de boas intenções o inferno está cheio.

  5. Franco em 10/10/08 | 6:10 am

    Disse tudo, Victor.

  6. chato em 10/10/08 | 10:52 am

    “Foi aprovada a lei com uma boa intenção”

    Sera, de fato, que a intenção era boa?
    Para mim foi uma forma tornar os caras submissos.

  7. Guilherme em 10/10/08 | 12:11 pm

    Eu até concordo com o victor, mas discordo totalmente dos erros. Acho que se você vai falar de alguém que não estudou tanto, podia pelo menos escrever direito.

    E não vi essa discriminação aqui na Europa. Pelo menos na área de computação o pessoal gosta de brasileiro e, justamente, pelo “jeitinho”, aquela criatividade maluca.

    Cotas servem para contentar a massa.

  8. Junnin em 14/10/08 | 6:24 am

    As cotas,são,sinceramente,a maior idiotice.
    Vou prestar um vestibulinho em novembro,e,quando você vai se registrar,pode preencher dois campos,o de afro-descendente e o de estudar em escola pública integralmente da quinta a oitava série.

    Os dois são uma idiotice,ou o negro é mais “burro” que o branco?
    Porque os negros tem cotas,e os japoneses e índios não?

    Quanto à cota pra estudantes de escolas públicas,a culpa não é minha que o ensino público é uma merda!Se eu tive a sorte de ter a oportunidade de estudar em uma escola particular,ainda bem,quem não teve,que pena,mas não é por isso que EU devo me ferrar,e quem não teve a chance passar.Tanto porque,depois que ele passar,provavelmente não iria entender nada nas aulas,simplismente porque passou pelas cotas,não pelo seu estudo,e esforço.

    Aliás,o país já tá ficando tão ruim com essas cotas que,num futuro próximo,90% das vagas vão ser cotas,e 10% vão ser vagas normais.Mas fazer o que,né,vou ter que dar meu “jeitinho brasileiro”…

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