A merda da vida pública

postado em Quinta Coluna por Nelson 16.10.2008 às 20:33 hs

Está cada vez mais fácil observar que as pessoas têm feito da vida pública uma extensão da privada: diariamente adentramos em meios em que não somos respeitados, onde nosso espaço e direito são violados.

Incomoda-nos desde o sujeito que ouve músicas sem fone de ouvido nos ônibus até o inconseqüente que libera seus gases nobres – ou nem tão nobres – no elevador. Provavelmente (e eu não conferi) não deve haver alguma lei que proíba esse tipo de conduta – e não seria interessante ver como seria redigida uma lei contra flatulências públicas? No entanto, existe uma para o bem de todos e felicidade geral da nação: a lei do bom-senso.

Essa lei é regulada por um mecanismo interno popularmente conhecido como desconfiômetro. Todavia, talvez por mau uso, este aparelho em algumas pessoas possui um precário funcionamento – ou, mesmo, ainda nem descobriram como funciona. Destaco um comportamento anômalo do desconfiômetro: as pessoas que ficam em pé nos pontos de ônibus. Não digo dos que não tiveram a sorte de achar um lugar vago nos bancos, mas daqueles que resolvem esperar o transporte exatamente à frente deles.

Ora, e os pobres felizardos que conseguiram um lugar para assentar-se? Não ficam a ver navios, tampouco ônibus: vêem bundas cansadas. Gasto toda a minha sorte do século (que na escala de Deus equivaleria a ganhar na mega-sena duas vezes) ao achar um lugar vago e não posso ver se o coletivo está por vir, correndo o grave risco de perdê-lo. Já que o desconfiômetro desta crônica está apitando, darei logo o meu recado: da próxima, mandá-los-ei à rua que os pariu.


Comentários para o post "A merda da vida pública"

  1. Thiago em 16/10/08 | 8:43 pm

    Primeiro?

  2. Daiane em 17/10/08 | 9:10 am

    Nelson,
    Em São Paulo tem uma lei “Lei Municipal n.o 6.681/65? que proíbe o uso de aparelhos sonoros nos ônibus.
    Mas ela não é nem mesmo respeitada pelos próprios ônibus, pois alguns possuem tela de vídeo com áudio.
    Se fosse respeitada seria um ótimo “semancol” para as pessoas que escutam música sem fone.
    Abraço!

  3. Fernando em 17/10/08 | 9:12 am

    Olha, transporte público em cidades grandes é sempre complicado…
    Aqui em Sampa é um total caos.
    Acabei de entrar no serviço e para isso eu saio da estação de trem (uma que vai do extremo sul para o oeste paulistano) e peguei uma “lotação” ou microonibus. Eu desço DOIS pontos depois e foi um martírio.
    Sempre quis fazer um livro chamado “Como se usar o transporte público”, mas daí lembrei que os ignorantes que não sabem usar também não lêem nem o que está estampado na camisa deles…

  4. Fernando em 17/10/08 | 9:15 am

    Ah, e o que a Daiane falou é real, as lotações sempre ligam a Gazeta FM e deixam num volume alto.
    Eu, com fone de ouvido consigo ouvir muitas vezes o que está tocando.
    Nada contra quem gosta do estilo, mas é proibido e ponto.
    Mesmo se eles sintonizassem uma rádio que eu gosto, não aprovaria.

  5. Dih Fernandes em 17/10/08 | 11:15 am

    Acho que se naum gosta então não procura!!!
    Compra uma dafra ou sobe de escada e resolve tudo!!!

    auhauhauhuhahuahuahuauhuhauha

    Quem se preocupa com tão pouco é pq não vive a vida de verdade!!!

  6. le em 17/10/08 | 11:34 am

    concordo com Dih.

  7. Tio Dread em 17/10/08 | 3:56 pm

    Não entendi a sua reclamação. Se fosse algo referente ao uso de aparelhos sonoros sem o fone de ouvido em onibus coletivos, a filhos da putas que peidam em elevadores, tudo bem, é uma puta sacanagem.

    Mas quanto a uma pessoa ficar em pé na espera do onibus, é uma reclamação um tanto qnto… sem justificativa, para não falar outra coisa.
    Quem trabalha em escritório e fica o dia inteiro sentado na merda de uma cadeira, não qr saber de sentar mesmo, já esta com a bunda cansada. E muitas vezes não se acha um lugar para sentar na espera do onibus. Então logo ficará alguém em pé, na sua frente pois ele não irá para trás dos bancos. E muitas vezes, quando se fala de SP, os pontos de onibus estão realmente lotados, e se você quer pegar tal onibus, tem que ficar atento de qualquer forma.
    Se você quiser ficar esperando sentado, espere um taxi que lhe garanto que você não vai perder.

  8. Links dos recrutas - Visionando - o Blog de Alex Hunter em 17/10/08 | 4:09 pm

    [...] A merda da vida pública [...]

  9. Rodrigo Gattuso em 17/10/08 | 4:24 pm

    Blz Dih, vc tá coberto(a) de razão, mas tem um detalhe.
    Vc tb tem direito de viajar naquele ônibus ou subir naquele elevador, então porque abandonar o seu direito para que os outros possam fazer o que quiser?

    Se vc tem direitos, pq não lutar por eles?

    É exatamente por pensamentos de pessoas como você que o Brasil vai do jeito que vai.
    Todo mundo acha que tá tudo bom, tipo, se não pode com eles, junte-se a eles, e pra mudar isso, deveríamos começar por esse tipo de pensamento como o seu e que outras pessoas compartilham.

    Temos que reclamar sim… é nosso direito!

    Nada pessoal, mas acho que já chegamos no limite do “reacionarismo”…

  10. Rafael em 17/10/08 | 6:08 pm

    Moro no Rio de Janeiro e tenho percebido e comentado esta transformação da vida privada e seus hábitos em públicos. Não sou obrigado a ouvir músicas q falam de cachorras e de chá de cú em filas de banco enquanto aguardo ser atendido assim como ninguém precisa ouvir os solos de guitarra guardados no meu cartão de memória do celular, celular é algo muito pessoal e o melhor é você deixá-lo tocando apenas para seus ouvidos.

    Quando vou à praia, uma horda de favelados(nada contra quem mora em morro, MUITOS que neles residem não são favelados) passam um composto químico no corpo para dourar os pelos chamado blonder, esses caras passam aquela merda no corpo e depois se banham…. vão falar o que agora? “quer uma praia pra vc, compre uma ilha particular.” ? Acho que todos devem respeitar o espaço que é público e muitas vezes sou tido como irritadinho por tomar atitude, certa vez um cara na fila do banco colocou o celular num volume de rave e começou a dançar um funk daqueles proibidos, tinha velho, criança, a poha toda numa fila de banco e o cara tocando o horror lá dentro eu pedi educadamente para que ele desligasse ele - claro - batemos boca e quando a coisa começou a parecer que ia ficar pior um segurança exigiu que ele desligasse. TEM QUE BRIGAR MESMO!!

    Todo direito de um cidadão há de ser exigido caso contrário ele deixa de existir e os ratos sendo esses engravatados ou em farrapos fazem a festa.

  11. matheus em 17/10/08 | 8:26 pm

    relaxa man, reclamando de barriga cheia, é melhor vc ficar 10 minutos no ponto em pé pra entrar no busao primeiro e SIM BRIGAR POR UM LUGAR DECENTE PRA SENTAR
    até terminar seu trajeto, do que sentar no ponto de onibus a nenhum custo, e ainda perder a visão do busão

  12. Airton Junior em 20/10/08 | 4:53 pm

    Disse Tudo!

    É bem assim mesmo… E como você disse , o que me irrita muito são aquelas pessoas que entram com seus mp3 da vida sem fone de ouvido com seus gostos musicais peculiares obrigando a todos a ouvir seus funks e afins .

  13. Hanne Mendes em 23/10/08 | 9:12 pm

    Gostei muito do texto e do espaço aqui.
    Volto sempre.

    Beijo,
    HM

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